A T E N Ç Ã O
Neste blog a ordem do texto está propositalmente invertida. As postagens mais antigas estão no topo da página. Leia nessa ordem ou clique nos links abaixo para abrir em uma janela ou aba separadas e ler apenas trechos da história, mas nesse caso poderá ser perdida a ordem cronológica dos fatos.
 

  
  
  
  
  
  





  
  
  
  
  
  
  
  
  
Antes que comecem a ler este blog, eu gostaria que soubessem que certamente eu esqueci de muuuuitos nomes de pessoas que foram muuuuito importantes na minha vida musical. Gostaria de pedir a estes, um milhão de desculpas e dizer que isso nada mais é do que a idade avançando e avançando...
E outra consideração a fazer, é que são quase 25 anos de música, mal resumidos nessas linhas, portanto o texto apesar de parecer longo, não o é.
E façam comentários, com perguntas, dúvidas, críticas, elogios, escárnios e a quem participou dessa história, correções e inserções, ou quem ainda não foi citado nessas linhas e deveria ter sido, me avisem, me xinguem...
Espero que gostem!
Tudo começou...
Quando eu tinha uns doze ou treze anos de idade. Eu não tenho vergonha de admitir que escolhi o baixo como meu instrumento, por que todos os meus amigos já tocavam ou tinham escolhido o seu e “pra entrar na banda” só sobrou pra mim o baixo. Eu digo que não tenho vergonha de admitir porque depois que passei a conhecer melhor o instrumento eu realmente me identifiquei com ele. Hoje eu “arranho” um pouco de outros instrumentos, canto um pouco também, mas o que realmente me dá prazer em tocar é o baixo. Talvez tenha sido um daqueles casamentos por conveniência que deram certo. Será que isso realmente é possível? Bem, no meu caso foi. Hoje o instrumento da minha vida é o baixo.

"Meu baixo de estimação, o Tocão"




Como eu ia falando...
Daí comecei a tocar com os meus amigos de bairro, colégio e com o meu irmão. Tínhamos uma “banda” e era muito engraçado, ensaiávamos onde desse, ou melhor, no quarto de quem os pais não estivessem em casa, com tudo muito improvisado. Tínhamos uma música, sim isso mesmo, UMA música, chamada “Salário Mínimo” (lembra Cesar?) que era desse parceiro que me ensinou muito sobre música e que mais tarde foi meu sócio, mas isso é uma outra história... Tocávamos essa música, tocávamos também umas músicas dos Replicantes, Legião (do primeiro e segundo discos), Camisa de Vênus (dos dois primeiros discos também) entre outras coisas. Não que gostássemos muito disso, era o que conseguíamos tocar, por que na época já gostávamos de Iron, Van Halen, Kiss, Scorpions, Quiet Riot, Accept, AC/DC. Sim, já éramos uns metaleiros de araque, mas tocávamos o que dava... Hehehe. Não tenho fotos dessa época.
Depois fui tocar com uns parceiros de Viamão que o Cesar me apresentou, numa banda chamada Síndrome. Ali conheci uma galera que curto até hoje, o André “cascudo” Nunes, o Sílvio “coxa”, o Marcelo “crista” (ele não gostava muito do apelido), o Adriano “beludo”, o Felipe Dimartino, que gostaria muito de ser chamado só pelo sobrenome, mas tinha um irmão mais velho, o Marco, que era quem tinha essa honra, o Ângelo Primon, que assim como o César me ensinou muito, música e sobre música, sobre o que significa ser músico, querer viver disso. Enfim, essa foi uma fase que durou alguns anos da minha vida, e que apesar de ter ficado longe, não consigo deixar de lembrar de várias histórias e dos detalhes mais bizarros.

Meu Deus, que coragem publicar essa foto.
Da esquerda: Cesar, Ângelo, André, Eu, Sílvio.
Acho que é de 1988. 

O Ângelo era um cara que apostava em mim, um baixista roqueiro, metaleiro, que só sabia tocar isso, me apresentou um cara chamado Leonardo e juntos formamos um trio de música instrumental, chamado Arcano III. Ensaiavámos no quarto do Leonardo, com tudo ligado bem baixinho, batera de estudo, durou poucos meses, por que em seguida o Leonardo foi chamado pra tocar num grupo que tava fazendo bastante sucesso aqui no sul, na época, chamado Tambo do Bando. Opa...será que isso significa alguma coisa pra alguém??? Eu não esqueci de falar, só deixei pro final do parágrafo de propósito. Esse cara, o Leonardo, é ninguém menos que um dos maiores bateristas do mundo hoje, o Kiko Freitas. É Isso mesmo, eu não só tive a honra de tocar durante um período com esse cara, como posso também dizer que ele é um dos melhores baixistas que eu vi tocando na minha frente (eu disse baixista) e adivinhem, lógico que nesse período eu que não sou muito burro, aproveitei pra aprender muito sobre o meu instrumento. Isso porque o Kiko, é um cara de uma generosidade imensa. Nem ele e nem o Ângelo precisariam ter “apostado” em mim, mas os dois praticamente me davam aulas todos os dias.
Vou abrir um parêntese pra contar uma história que exemplifica bem, isso: “Um dia de manhã cheguei pra ensaiar na casa do Leonardo e ele que tinha um baixo Giannini modelo 04 (baita instrumento, hoje eu tenho um) sentou na cama e me mostrou que ele tinha tirado o Slap duplo e me ensinou como se fazia, era um lance muito louco que incluía tocar com o dedo minguinho da mão direita. Bem, como um bom aprendiz eu fui pra casa e fiquei tentando fazer o tal slap duplo até fazer bolha, a bolha estourar e sangrar, daí eu coloquei um curativo e continuei até conseguir. Orgulhoso, no outro ensaio eu mostrei pra ele que já tava fazendo. Foi quando ele sentado na mesma cama, só que dessa vez, de costas pra mim, me “mostrou” que tinha tirado o tal slap triplo e que esse eu só poderia ouvir e que teria que descobrir sozinho como era.”. Acho que essa história demonstra perfeitamente o que eu quis dizer, quando falei que ele e o Ângelo eram caras generosos comigo. Pois é Kiko, hoje depois de muuuuitos anos eu já faço uma vaga idéia do que seja o slap triplo, não que eu consiga fazer....hehehehe. O cara toca muuuuuito esse instrumento, estou falando do baixo, porque batera...

Como também não tenho fotos dessa época...
Esse é meu baixo novo, ainda não tem apelido.
Nada haver com o assunto.
Logo em seguida...
Ou mais ou menos ao mesmo tempo, meu irmão, o Roger pra quem não conhece, começou a tocar com uns caras, eles tinham uma banda chamada Dublê. Aí eu devia ter uns 16 anos, o Roger me convidou pra tocar com eles. Os caras eram o Roberto Arbo e o César Proença, dois caras que já tinham muita história pra contar, o Roberto tinha sido baterista do Astaroth, banda de Metal de Porto Alegre, dos anos 80 e o César, tinha tocado na Spartacus (dispensa apresentações, banda de metal de Porto Alegre, na ativa até hoje. Na real devia se chamar Marco Dimartino`s Band...Hehehe) e Drakar, banda de Hard Rock de Porto Alegre, do final dos anos 80. A essas alturas o Astaroth já tinha acabado e a Drakar também. Nós, da Dublê, fazíamos um som pseudo-romântico magoadinho (sacam?). Apesar da brincadeira, as músicas eram muito boas, meu irmão, o César e o Roberto compunham muito bem, às vezes juntos, às vezes não, mas sei lá, acho que queríamos soar como Roupa Nova ou Yahoo (lembram dessa?) e conseguíamos, lógico, guardadas as devidas proporções.

Eu, o Roger e o Adriano (2009)
Em seguida, fui apresentado a um grande irmão, meu compadre, Martim, hoje guitarrista da Rosa Tattoada. Fui apresentado ao Martim por um cara chamado Ricardo Arone, vulgo Malcon, devido a enorme semelhança como Malcon Young. O Malcon, eu conheci numa escola de música onde dei aula durante sei lá, um ano talvez, chamada Cordas & Cordas, que ficava ali na Rua Sto. Antônio, bairro Bom Fim, onde tudo acontecia em Porto Alegre. A essas alturas eu tava com uns 18 anos, passei a integrar essa banda que o Malcon me convidou, chamada Código 18. A banda era: O Martin, o Malcon, eu e o Papel (batera), acho que esse último dispensa apresentações, grande batera. Mais tarde, após a saída do Malcon da banda, conheci um cara chamado Jean Paul, grande guitarrista, um dos caras mais talentosos e inspirados com quem eu já toquei e espero reencontrar em futuras gigs musicais. Com essa banda participamos do FICA, pra quem não sabe, é o festival do colégio Anchieta, depois de ganharmos, se não me engano um terceiro e honroso lugar, no ano seguinte abrimos o festival como show convidado.. Depois disso tudo, devido a uma briga entre dois dos integrantes da banda, como quase sempre acontece, cada um foi pra um lado. Essa era uma grande banda, até hoje ouço umas gravações de ensaios que tenho em fitas K-7 e vejo que as músicas eram tão boas que podiam ser re-gravadas ainda hoje. Grande banda mesmo.
Banda Código 18, Capão da Canoa (1989, talvez 90)
Da esquerda: Eu (baixo lá no queixo), Papel (atrás da bateria),
Martim e Malcon

Bem, depois disso larguei a música por, sei lá, um ano ou dois talvez.
A essa altura da vida, lá pelos 21 / 22 anos a gente acha que um ou dois anos são uma vida inteira, que representa muito tempo, mas hoje do alto dos meus 37 (que arrogância hein!) eu vejo que isso não representou muito, mas na época parecia que tinha abandonado de vez a música.

Daí fui trabalhar de verdade...
hehehe